Compreender quem é Jesus no Espiritismo é um dos passos mais transformadores que alguém pode dar na jornada do autoconhecimento e da fé raciocinada. Durante séculos, as palavras do Cristo foram interpretadas de maneira literal e materialista, o que limitou profundamente o entendimento de sua verdadeira identidade. Ao afirmar “Eu sou a luz do mundo” ou “Antes que Abraão existisse, eu sou”, Jesus não falava de coisas terrenas — falava de realidades espirituais que somente agora, com a luz da Doutrina Espírita, podemos acessar com maior clareza.

A Doutrina Espírita, na condição de Consolador Prometido, oferece as chaves para desvendar o significado profundo das palavras de Jesus. Não se trata de fé cega nem de devoção sem fundamento, mas de um convite ao estudo, à reflexão e à vivência plena dos ensinamentos evangélicos.

Quem é Jesus no Espiritismo?

Para a Doutrina Espírita, Jesus é o Espírito mais puro que já pisou a Terra. Diferentemente do que propõem algumas tradições religiosas, o Espiritismo não o vê como Deus encarnado, mas como o guia e modelo de perfeição moral oferecido por Deus à humanidade. É o que Allan Kardec registrou em O Livro dos Espíritos, questão 625, ao perguntar aos Espíritos Superiores qual o mais perfeito modelo que Deus ofereceu ao ser humano — e a resposta foi categórica: Jesus.

Essa compreensão muda radicalmente a maneira como nos relacionamos com seus ensinamentos. Saber que Jesus é um Espírito Puro — e não uma divindade inatingível — nos aproxima dele. Torna possível, e até necessário, seguir seu exemplo no cotidiano, nas pequenas escolhas, na forma como tratamos o próximo e a nós mesmos.

O Espírito Puro que governa a Terra

Na obra A Caminho da Luz, o Espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, revela que uma comunidade de Espíritos Puros administra o Sistema Solar, e que Jesus é o responsável direto pela Terra. Mais impressionante ainda: Jesus já era Espírito Puro antes mesmo da formação geológica do nosso planeta, há aproximadamente 4,56 bilhões de anos. Emmanuel o descreve como o “divino escultor” da obra geológica terrestre.

Isso significa que Jesus não evoluiu na Terra. Ele veio de fora, como ser já perfeito, para orientar e governar espiritualmente a humanidade. Essa visão é confirmada pelas próprias palavras do Cristo no Evangelho de João:

“Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.”

João 8:23-24

O governador espiritual da Terra

O Evangelho de João abre com uma das passagens mais reveladoras da natureza de Jesus:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por ele.”

João 1:1

À luz de Jesus no Espiritismo, essa passagem ganha um sentido profundamente coerente: Jesus, como governador espiritual, participou da organização e formação da Terra desde as suas origens.

Quando Pedro reconhece Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, temos, segundo a interpretação espírita, um momento de lucidez mediúnica — uma percepção espiritual que transcende o entendimento comum. A confissão de Pedro não nasce do raciocínio humano, mas da intuição do espírito que capta a grandeza daquele ser.

A humanidade terrestre e o caminho da redenção

Se Jesus é o Espírito Puro que governa a Terra, qual é a condição de nós, encarnados? Segundo Emmanuel, todos os que aqui vivem são espíritos em processo de aprendizado e resgate após desvios passados. A existência terrena é preciosa justamente porque oferece oportunidades incessantes de reparação, crescimento e transformação moral.

Emmanuel também nos alerta: a cristianização da humanidade ainda se encontra em fase inicial. Durante dois milênios, o Evangelho foi semeado, mas a vivência coletiva e profunda desses ensinos está apenas começando. O terceiro milênio — que já vivemos — é apontado como o período propício para que a evangelização ganhe corpo e profundidade, preparando a Terra para se tornar um mundo de regeneração.

Reconhecer nossa condição de espíritos em aprendizado não é motivo de desânimo, mas de esperança: todos temos a capacidade de alcançar a pureza espiritual, desde que nos esforcemos na busca pela perfeição moral. Cada encarnação é uma oportunidade de avançar nessa direção.

Compreender, sentir e viver

Conhecer os ensinamentos de Jesus no Espiritismo é apenas o primeiro passo. Não basta compreender intelectualmente — é preciso meditar, sentir e, sobretudo, viver. A prece sincera, o estudo diário, o exercício da caridade e do perdão são ferramentas práticas que nos ajudam a traduzir o saber em ação. Quando o conhecimento toca a sensibilidade, ele se transforma em atitude — e a atitude transforma a vida.

Jesus no Espiritismo vivenciado no coração — do saber intelectual à prática do amor

Seguir Jesus com convicção significa negar o egoísmo, abraçar o amor ao próximo e compreender que cada prova é uma oportunidade de evolução. Não se segue o Cristo por tradição ou imposição, mas por consciência — sabendo quem Ele é e o que representa para cada um de nós.

A luz que ilumina todos os tempos

O Evangelho permanece vivo porque a verdade que ele carrega é atemporal. Jesus no Espiritismo deixa de ser uma figura distante e inacessível para se tornar o guia próximo, o modelo alcançável, o Espírito Puro cuja luz orienta cada passo da nossa caminhada evolutiva. A Doutrina Espírita não nos pede que simplesmente acreditemos — pede que compreendamos, sintamos e vivamos.

Que possamos, neste terceiro milênio, acolher o convite do Cristo com o coração aberto e a razão iluminada. A luz do Evangelho não pertence ao passado: ela é, sempre foi e sempre será a luz para hoje, para agora, para cada escolha que fazemos no silêncio da nossa consciência.