Data
domingo, 06 de julho de 2025 · 19h00
Modalidade
Presencial e ao vivo no YouTube
Entre os quatro evangelhos mais conhecidos — Mateus, Marcos, Lucas e João — a voz de Tiago costuma passar despercebida. No entanto, é justamente nela que encontramos um dos chamados mais diretos do Cristianismo: a passagem da fé que se ouve para a fé que se vive. Neste estudo, conduzido no CEMA – Centro Espírita Maria Madalena, somos convidados a olhar para a própria caminhada e a perguntar o que temos feito do tempo e dos ensinamentos que recebemos.
O ponto de partida é uma inversão de postura. Em vez de nos colocarmos como "pedintes" diante da vida espiritual, somos chamados a nos tornar trabalhadores. A imagem dos "bônus-horas", descrita por André Luiz em Nosso Lar, ilustra como o esforço e a dedicação no bem constituem um crédito que nos acompanha — não para receber em troca, mas para servir cada vez melhor. O estudo sistemático do Evangelho aparece, assim, como roteiro seguro, pedra firme onde apoiar os pés na travessia das noites escuras da existência.
A trajetória do apóstolo Tiago Maior dá rosto a essa mensagem. Pescador às margens do lago de Genesaré, irmão de João e integrante do círculo mais próximo de Jesus, ele transformou a ambição da juventude em serviço ao próximo e tornou-se o primeiro dos doze a selar com a própria vida a fidelidade ao Evangelho, martirizado por volta do ano 44. Sua firmeza empresta força à advertência que nos deixou: ser apenas ouvinte da palavra, sem praticá-la, é como contemplar o próprio rosto no espelho e esquecê-lo assim que dele nos afastamos.
Dessa advertência nascem dois exercícios concretos de reforma íntima. O primeiro é o domínio da língua: quem se diz religioso, mas não freia a própria fala, ilude a si mesmo, porque a maledicência semeia sofrimento e endividamentos morais. O segundo é a renúncia ao hábito de julgar. À luz do "não julgueis para não serdes julgados" e da advertência do próprio Tiago — "quem és tu para julgar o teu semelhante?" —, recordamos que a Lei é de Deus e que a Ele cabe o julgamento, não a nós. Como ensina O Livro dos Espíritos, é comum condenarmos no próximo a pequena falha que perdoamos em nós mesmos.
Por fim, o estudo nos lembra de que pensamento e palavra são força viva. O que pensamos se projeta, e o que sai da boca revela o estado íntimo do espírito. Vigiar a mente e a fala, buscando virtudes onde tantas vezes procuramos defeitos, é o caminho prático para que a religiosidade tenha valor real — começando, sempre, pelas relações mais próximas: a família, o lar, o convívio de cada dia.
Referências doutrinárias
Codificação
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O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec
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cap. X
"Bem-aventurados os que são misericordiosos" (não julgar o próximo); o mandamento de amar a Deus e ao próximo.
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cap. X
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O Livro dos Espíritos
Allan Kardec
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Sobre julgarmos com severidade as faltas alheias e com indulgência as próprias.
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Psicografadas
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Nosso Lar
André Luiz · psicografia de Chico Xavier
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Os "bônus-horas" como crédito do trabalho no bem.
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Referências bíblicas
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Tiago
- Praticantes da palavra e não apenas ouvintes; o domínio da língua; a justificação pelas obras.
Principais tópicos abordados
01Trabalhador, não pedinte: os "bônus-horas"
02O estudo do Evangelho como roteiro seguro
03Tiago Maior: trajetória e martírio
04Praticantes da palavra, não apenas ouvintes
05O domínio da língua e a maledicência
06Não julgar: a Lei que cabe a Deus
07A mente criadora: pensamento e palavra como força viva
Assuntos principais