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CEMA — Centro Espírita Maria Madalena

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Porta de madeira entreaberta com luz suave de fim de tarde passando de um cômodo a outro

Você entra numa casa e sente o ambiente pesado antes de alguém dizer uma palavra. Sonha com uma pessoa querida que já partiu e acorda com a impressão de que ela esteve ali. Ou alguém lhe disse, meio de passagem, que você "tem mediunidade", e a frase ficou na cabeça.

Se você chegou até aqui perguntando o que é ser médium, saiba que a pergunta é antiga, comum e merece uma resposta tranquila. Este guia explica, com o que Allan Kardec deixou escrito, o que a palavra significa, o que ela não significa e qual é um caminho seguro para quem quer entender melhor o que sente.

O que é ser médium, em poucas palavras

Telescópio de latão antigo e um pequeno microscópio junto a uma janela aberta ao entardecer
Para o mundo material, o telescópio e o microscópio; para o invisível, diz Kardec, a mediunidade.

A palavra vem do latim e quer dizer "meio", "intermediário". Kardec, que organizou a Doutrina Espírita no século XIX, deixou a definição no vocabulário de O Livro dos Médiuns, obra de 1861 dedicada justamente a esse assunto:

"Pessoa que pode servir de intermediária entre os Espíritos e os homens." (O Livro dos Médiuns, cap. XXXII, "Vocabulário espírita", verbete "Médium")

Espíritos, para o Espiritismo, são as almas das pessoas que viveram na Terra e continuam vivas depois que o corpo se desfaz. O médium, então, é alguém por meio de quem essas almas conseguem se fazer perceber: uma impressão, uma intuição, uma palavra, às vezes uma imagem.

Kardec usou uma comparação bonita para isso, no prefácio da prece pelos médiuns de O Evangelho segundo o Espiritismo (cap. XXVIII, item 9). Para conhecer o mundo material, Deus deu ao ser humano os sentidos e instrumentos que os ampliam, como o telescópio, que alcança as estrelas, e o microscópio, que revela o muito pequeno. Para o mundo que os olhos não veem, deu-lhe a mediunidade.

Nada disso é mágico nem fora da ordem das coisas. Para o Espiritismo, a mediunidade é uma faculdade natural, tão parte da natureza humana quanto a visão ou a memória.

Todos somos médiuns? Sim, e a diferença está na mediunidade ostensiva

Rádio antigo de madeira ligado sobre a mesa da sala, com o mostrador aceso em luz âmbar
Todos temos o rádio ligado; em alguns, o volume é tão alto que a mediunidade se torna ostensiva.

Aqui está a primeira surpresa de quem começa a estudar. Ninguém está fora desse intercâmbio. Todo ser humano sente, em algum grau, a influência dos Espíritos, e Kardec tira daí uma conclusão direta:

"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo." (O Livro dos Médiuns, cap. XIV, item 159)

No mesmo item, ele resume: "Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns." E, em O Livro dos Espíritos, a obra fundamental da doutrina, a pergunta sobre essa influência recebe uma resposta que vale para todos nós:

"Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?" Resposta: "Mais do que imaginais, pois com bastante freqüência são eles que vos dirigem." (O Livro dos Espíritos, q. 459)

Por que, então, só algumas pessoas são chamadas de médiuns? Porque, no uso comum, explica o mesmo item 159, a palavra se reserva àqueles em quem a faculdade aparece de forma bem marcada, com efeitos claros e de certa intensidade. É o que se chama de mediunidade ostensiva, aquela que se mostra, que é visível nos seus resultados. Quando alguém diz "fulano é médium", está falando dela.

Uma imagem ajuda. Todos temos um "rádio" interior ligado, captando o plano espiritual o tempo todo. Na maioria das pessoas, ele toca em volume baixo, por baixo dos próprios pensamentos. Em algumas, o volume é tão alto que a faculdade se torna ostensiva. E Kardec acrescenta: "Pode, portanto, uma pessoa ser médium, sem dar por isso, e num sentido diverso daquele que imagina" (O Livro dos Médiuns, cap. XVII, item 205).

O intercâmbio que ninguém percebe

O livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier e ditado pelo Espírito André Luiz, traz uma cena que mostra isso com delicadeza. No capítulo 49, "Regressando à Casa", André Luiz, já desencarnado, visita a família que deixou na Terra. Naquele dia, sem saber por quê, a filha mais velha não consegue parar de pensar no pai: "hoje, singulares saudades do papai me atormentam o coração. Desde cedo, não sei por que penso tanto nele."

A mãe repreende a moça pela saudade, e ela chora. André Luiz se aproxima e conta o que fez:

"Aproximei-me da filha chorosa e estanquei-lhe o pranto, murmurando palavras de encorajamento e consolação, que ela não registrou auditiva, mas subjetivamente, sob a feição de pensamentos confortadores." (Nosso Lar, cap. 49)

A filha não viu nem ouviu o pai. Ninguém naquela sala diria que ela é médium. E, no entanto, ela sentiu a presença dele, que lhe despertou a lembrança, e recebeu o consolo, que lhe chegou como um pensamento seu. É assim que acontece a imensa maioria dos contatos com o plano espiritual, todos os dias, com todas as pessoas: em silêncio, pela via dos pensamentos e dos sentimentos.

A pergunta que importa: com quem estamos em sintonia

Uma mão girando devagar o botão de sintonia de um rádio antigo de madeira
A mediunidade é a porta que todos temos; o que entra por ela depende de como vivemos.

Se todos estamos em contato com o plano espiritual, saber o que é ser médium muda a pergunta mais importante. Ela deixa de ser "como eu percebo os Espíritos" e passa a ser "com que Espíritos eu me relaciono". A resposta, para o Espiritismo, depende de nós.

Assim como os bons Espíritos nos cercam e inspiram, há Espíritos ainda presos ao mal, e o que define a companhia é a sintonia, a afinidade de pensamentos e desejos. O Livro dos Espíritos é claro sobre isso:

"Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?" Resposta: "Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem." (O Livro dos Espíritos, q. 467)

E indica o caminho para que a sintonia seja boa:

"Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós." (O Livro dos Espíritos, q. 469)

Isso vale para quem tem mediunidade ostensiva e para quem não tem. O pensamento elevado, a prece, a boa conduta e o esforço de melhorar a si mesmo, o que os espíritas chamam de reforma íntima, são o que escolhe a nossa companhia espiritual. A mediunidade é a porta, que todos temos. O que entra por ela depende de como vivemos.

As formas mais conhecidas da mediunidade

Caderno aberto com escrita à mão, lápis, copo de água e raminho verde sobre mesa de madeira junto à janela
Sentir, ver, ouvir, falar, escrever, curar: a mediunidade não se apresenta igual em todos.

A mediunidade não se apresenta igual em todas as pessoas. Kardec observou que cada médium tende a ter mais facilidade para um tipo de manifestação e descreveu as principais variedades no capítulo XIV de O Livro dos Médiuns. De forma simples:

  • Sensitivos ou impressionáveis: sentem a presença dos Espíritos por impressões, como um bem-estar súbito ou um mal-estar sem causa aparente. Kardec nota que "um bom Espírito produz sempre uma impressão suave e agradável".

  • Videntes: percebem imagens do plano espiritual.

  • Audientes: ouvem, de dentro ou de fora, a voz dos Espíritos.

  • Falantes: transmitem pela própria voz o que o Espírito quer dizer, o que o movimento espírita costuma chamar de psicofonia.

  • Escreventes: escrevem sob a influência de um Espírito, a chamada psicografia.

  • Curadores: servem de instrumento para o alívio e a melhora de quem sofre.

Há outras formas, e elas se misturam. A lista serve para mostrar a variedade, não para que alguém se encaixe numa categoria depois de ler um artigo.

Existe um sinal de que alguém é médium?

Lupa antiga de cabo de madeira sobre uma folha de papel em branco, com um círculo de luz na lente
Os sinais físicos, escreveu Kardec, nada têm de infalíveis: não há teste que diga quem é médium.

Basta pesquisar o assunto na internet para encontrar listas: cansaço frequente, bocejar muito, absorver a emoção dos outros, não gostar de barulho. Essas listas assustam e confundem, porque qualquer pessoa se reconhece em algum item.

Kardec tratou dessa questão há mais de um século e meio, com uma clareza que continua atual:

"Infelizmente, até hoje, por nenhum diagnóstico se pode inferir, ainda que aproximadamente, que alguém possua essa faculdade. Os sinais físicos, em os quais algumas pessoas julgam ver indícios, nada têm de infalíveis." (O Livro dos Médiuns, cap. XVII, item 200)

Ele completa no mesmo trecho: a mediunidade "se manifesta nas crianças e nos velhos, em homens e mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e moral". Ou seja, não há um perfil, um teste ou um sintoma que defina quem tem mediunidade ostensiva.

Bocejo, cansaço e sensibilidade emocional têm muitas causas, e a maioria delas é do corpo e da vida comum: sono ruim, preocupação, alimentação, estresse. Tratar cada desconforto como sinal espiritual costuma aumentar a ansiedade, e não diminuí-la.

Mediunidade é doença?

Estetoscópio enrolado ao lado de um livro fechado e de um copo de água sobre mesa de madeira clara
O cuidado com a saúde e o apoio espiritual caminham juntos, nunca um no lugar do outro.

É uma das dúvidas mais frequentes, e a resposta de Kardec é serena. Em O Livro dos Médiuns, os Espíritos foram perguntados se a faculdade mediúnica seria indício de algum estado de doença:

"Anômalo, às vezes, porém, não patológico; há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas." (O Livro dos Médiuns, cap. XVIII, item 221)

Anômalo, aqui, quer dizer fora do comum, não doente. A mediunidade, em si, não é enfermidade. O mesmo item lembra que há momentos em que o mais prudente é a pausa ou o exercício moderado, "tudo dependendo do estado físico e moral do médium".

Isso pede um cuidado importante. Se você vive angústia intensa, insônia que não passa, vozes ou visões que assustam, o primeiro passo é cuidar da saúde: um médico, um psicólogo ou um psiquiatra, e a rede pública, pela unidade básica de saúde ou pelo CAPS. O Espiritismo não pede a ninguém que escolha entre a medicina e a fé. O apoio espiritual caminha junto com o tratamento, e nunca no lugar dele.

É um dom de Deus? É um privilégio?

Jarra de água e copos de vidro iguais alinhados sobre mesa com toalha branca, à luz da janela
Dom gratuito, que se encontra por toda parte e não se vende: assim Kardec descreve a mediunidade.

As duas palavras aparecem muito nas buscas, e Kardec responde a ambas. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, ele chama a mediunidade de dom, mas um dom que é de todos:

"Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo." (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVI, item 7)

Esse trecho diz três coisas de uma vez. A mediunidade é dada por Deus a quem a tem, e não conquistada como mérito. Ela não torna ninguém especial ou superior. E, justamente por ser um dom gratuito, não deve ser vendida. Kardec é direto sobre quem cobra por consultas com os Espíritos: "Não há charlatanismo desinteressado" (O Livro dos Médiuns, cap. XXVIII, item 304).

Também não é preciso ser espírita para ser médium. Kardec registrou que "no médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa" e que a faculdade "se prende a uma disposição orgânica" (O Livro dos Médiuns, cap. XVII, item 209). Todos a têm em algum grau, e pessoas de qualquer religião, ou de nenhuma, podem tê-la de forma ostensiva. O que muda é a compreensão que se tem dela.

E qual é o sentido de tudo isso? O mesmo livro responde em poucas palavras: "a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem" (cap. XXVIII, item 306). Não para curiosidade, nem para adivinhação, nem para vaidade.

Acho que sou médium. E agora?

Sala de estudo vazia com cadeiras de madeira em roda e livros sobre os assentos, ao começo da noite
Não tente seguir sozinho: estudo, prudência e companhia são o caminho seguro.

Primeiro, calma. Em algum grau você é médium, como todos somos; a questão é se a sua mediunidade é ostensiva e, mais ainda, com quem você está em sintonia. Sentir algo diferente não é motivo de medo nem de pressa. Depois de entender o que é ser médium, algumas orientações ajudam a dar o próximo passo com segurança.

Não tente "desenvolver" sozinho. Kardec insiste que mesmo o médium com a faculdade já desenvolvida "mais do que nunca precisa dos conselhos da prudência e da experiência" (O Livro dos Médiuns, cap. XVII, item 216). Exercícios feitos por conta própria, guiados por vídeos ou por curiosidade, abrem espaço para confusão e engano.

Estude antes de praticar. A mediunidade "foi dada para o bem e não para satisfação de vã curiosidade" (item 217). Entender o que ela é, como funciona e quais são os seus riscos é o que dá segurança. Começar pelas obras de Kardec, num grupo de estudo, é o caminho mais recomendado no movimento espírita.

Procure uma casa espírita séria. Uma boa casa espírita estuda, acolhe, orienta e não cobra nada. Desconfie de quem promete "abrir" a sua mediunidade em poucas sessões ou pede dinheiro por isso.

Cuide da vida comum. Sono, alimentação, trabalho, família e oração seguem sendo a base. A mediunidade não pede que a pessoa se afaste da vida, e sim que viva melhor.

No Centro Espírita Maria Madalena, em Planaltina, as portas estão abertas para essa conversa. Há palestra pública todos os domingos, às 19h, presencial e ao vivo pela internet. Depois dela acontece o Atendimento Fraterno, uma conversa reservada e gratuita, que pode seguir como acompanhamento espiritual: a ficha é pedida na recepção antes da palestra. Se preferir escrever primeiro, o formulário de contato do site tem um assunto chamado "Mediunidade", e a sua mensagem é tratada com reserva.

O que é ser médium, no fim das contas

Poltrona antiga vazia junto à janela, com xale dobrado no braço e livro no assento, à luz da manhã
Os que nos amam se acham ao nosso lado, sejamos ou não médiuns, lembra Kardec.

Ser médium é ter uma faculdade natural, que todos possuem em algum grau e alguns de forma ostensiva, de perceber e transmitir a presença dos Espíritos. Não é doença, não é privilégio, não se prova com teste da internet e não se vende. É uma ferramenta para o bem, que pede estudo, prudência e companhia, e cujo valor está menos em como percebemos o plano espiritual e mais nos Espíritos com quem escolhemos estar em sintonia.

E se, depois de tudo isso, você perceber que não tem mediunidade ostensiva, não se sinta de fora. Você continua em contato, como a filha de André Luiz. Kardec escreveu uma das frases mais consoladoras da doutrina justamente para quem se sente assim, usando "médium" no sentido comum, o da mediunidade ostensiva:

"Os que nos consagram afeição se acham ao nosso lado, sejamos ou não médiuns." (O Livro dos Médiuns, cap. XVII, item 218)

O amor de quem partiu não depende de mediunidade para chegar até nós. Se a pergunta continuar acesa em você, venha estudar com a gente. Toda boa pergunta merece companhia para ser respondida.

Perguntas frequentes

O que é ser médium?
Ser médium é ter a faculdade de servir de intermediário entre os Espíritos e as pessoas encarnadas. Segundo Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, a palavra vem do latim e significa "meio". É uma faculdade natural do ser humano, que pode se manifestar por impressões, intuições, palavras, imagens ou escrita.
Todo mundo é médium?
Sim, em algum grau. Kardec afirma que todo aquele que sente a influência dos Espíritos é, por isso, médium, e conclui que todos são, mais ou menos, médiuns. No uso comum, porém, só se chama de médium quem tem mediunidade ostensiva, isto é, bem marcada e com efeitos claros.
Como saber se sou médium?
Não existe teste nem sinal físico que comprove. Kardec escreveu que nenhum diagnóstico permite saber se alguém tem a faculdade e que os sinais físicos nada têm de infalíveis. O caminho mais seguro é estudar a doutrina num grupo e conversar com pessoas experientes de uma casa espírita séria, sem pressa.
Mediunidade é doença?
Não. Segundo O Livro dos Médiuns, a mediunidade pode ser fora do comum, mas não é doença, e há médiuns de saúde robusta. Quem sofre de angústia, insônia ou percepções que assustam deve procurar primeiro um profissional de saúde. O apoio espiritual caminha junto com o tratamento, nunca no lugar dele.
Precisa ser espírita para ser médium?
Não. Kardec registrou que a fé não é condição para a mediunidade, que está ligada a uma disposição do organismo. Pessoas de qualquer religião, ou sem religião, podem ter a faculdade. O Espiritismo oferece um estudo para compreendê-la e usá-la para o bem, com segurança e responsabilidade.
Médium pode cobrar pelo atendimento?
Para o Espiritismo, não. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec explica que a mediunidade é um dom gratuito, que não constitui privilégio, e que cobrar por ela a desvia do seu objetivo. As casas espíritas sérias não cobram por palestras, atendimento fraterno, passe ou orientação sobre mediunidade.

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