Marcos da casa
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1908
Nascimento do fundador, José Alves dos Santos.
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1950
Primeiro Centro Espírita Maria Madalena, em Ceres/GO.
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1958
Chegada da família a Planaltina.
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1961
Fundação do CEMA — 24 de junho.
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Anos 1960
Construção da sede própria, na Vila Vicentina.
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1985
Desencarne do fundador.
Capítulo 01
O Início de Tudo
Em 29 de fevereiro de 1908, na cidade de Barra Mansa no Estado do Rio de Janeiro, a D. Virgínia Lélis Alves dava a luz a um menino a quem chamaria de José.
O jovem José Alves dos Santos cresceu e viveu ali com a sua mãe, seu pai Camilo Lélis Alves e seus irmãos até 1927, quando conheceu e casou com a jovem Francisca Gomes da Silva, então com 16 anos, natural da cidade de Baturité, estado do Ceará.
Em 1930, o jovem casal muda para o município de Garça, estado de São Paulo em busca de uma vida melhor. Lá chegando, José trabalha como empregado em diversas lavouras e em 1932 arrenda parte da fazenda Rancharia para o plantio de arroz, iniciando nova etapa de uma vida repleta de desafios. Aos poucos, começa a contar com o valioso auxílio de seus filhos.
Dos dez que tiveram, oito nasceram em São Paulo, foram eles por ordem cronológica: Sebastiana (✟), Alzira (✟), Divina (✟), Orlando (✟), Camilo(✟), José Filho, Job (✟) e Jorge. Os dois mais novos, João (✟) e Celina, nasceriam posteriormente em Goiás no município de Ceres.
A vida de lutas prosseguia, mas a esperança estava sempre presente, a lida no plantio de arroz exigia dedicação e perseverança. Foi aí que aconteceu um fato que mudaria definitivamente a vida do casal, da família e de muitas outras pessoas. Num dia normal de trabalho, José contraiu um cisco no olho direito. O que poderia ser um fato corriqueiro e sem grande importância tornou-se uma séria enfermidade. O problema se agravava a cada dia, a cidade não oferecia condições para tratamento e José foi obrigado a deixar a esposa cuidando da colheita e partiu para a cidade de Bauru no interior de São Paulo à procura de recursos para a sua enfermidade.
Em busca de tratamento, José encontrou algo que jamais sonhara, mas que alteraria definitivamente o curso da sua encarnação.
Capítulo 02
O primeiro contato com o Espiritismo
Chegando a Bauru/SP, em busca de recursos para o seu problema na vista, José se hospedou em um hotel próximo à Clínica de Olhos, onde faria o tratamento.
Iniciados os cuidados médicos, a expectativa de recuperação da saúde era grande, contudo, o tempo passava e após 21 dias, nenhuma evolução, nenhuma melhora.
Certa noite, José se encontrava triste, pensativo e abatido na varanda do hotel, quando um carroceiro que passava pelo local se aproximou e dando boa tarde disse:
– Desculpe a ousadia, mas posso lhe fazer uma pergunta?
Após a resposta afirmativa de José o desconhecido indagou:
– O Sr. está passando mal?
– Sim, respondeu José.
– Vou lhe fazer uma proposta.
Se o senhor quiser acertar as contas com o hotel e a clínica e me acompanhar até o meu rancho, receberá um tratamento espiritual e com a ajuda de Deus poderá ficar bom. E, então, José - já um tanto quanto desesperado com a própria situação - não pensou duas vezes. Acertou suas contas e acompanhou o desconhecido.
Chegando no rancho, o carroceiro pediu à esposa que colocasse na mesa um copo com água limpa e buscasse um livro chamado “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Em seguida, fez uma prece espontânea, pedindo aos protetores espirituais que viessem auxiliar. Nesse instante, a esposa do senhor, que era médium clarividente, percebeu a presença de um espírito de desagradável aparência, colocando um líquido escuro no olho direito de José.
Aquele líquido, esclareceu a médium, impedia que a medicação utilizada na clínica tivesse qualquer efeito. Naquele mesmo momento, foi feito o transporte do espírito para o aparelho mediúnico da senhora presente, que além de clarividente era médium psicofônica.
E assim, na presença de um José assustado e atento, o senhor travou um interessante diálogo com aquele espírito que se apresentava como um perseguidor ferrenho. Surpreso e encantado com a desenvoltura daquele homem simples na doutrinação daquela entidade, José percebeu que cessada a manifestação mediúnica, espíritos superiores conduziram a infeliz entidade para algum local de recuperação. Era visível e sensível o bem estar de José após aquele tratamento tão diferente.
Finalmente conseguiria dormir à noite, pensava ele. Mas, afinal de contas, o que significava aquilo tudo? Como explicar a sua melhora sem qualquer gasto e com atitudes tão simples? Seria essa melhora duradoura e definitiva? Que doutrina era essa que lhe fazia tão bem a vista e a alma?
Capítulo 03
O Centro Espírita Maria Madalena em Ceres/GO
Após o tratamento recebido, José foi dormir com a recomendação de que se acordasse à noite deveria utilizar a água fluidificada para beber e pingar algumas gotas no olho em recuperação.
Como pressentira, dormiu como há muito não fazia. Na casa do novo amigo e benfeitor, José permaneceu por mais seis dias recebendo tratamento espiritual à base de orações, passes, água fluidificada, leitura do Evangelho e doutrinações dos obsessores. Na hora de despedir-se, perguntou se o amigo não iria lhe receitar alguns remédios. Como resposta ouviu do amigo o seguinte:
- Vou passar agora uma receitinha. Leve "O Livro dos Espíritos" como presente e compre os quatro livros restantes que constituem as obras básicas do Espiritismo para estudar Allan Kardec. E, no mais, vá com Deus!
No caminho de volta para casa, José pensava que graças à Deus e a ajuda daquele ex-desconhecido, agora amigo e benfeitor, salvara o olho esquerdo e com ele haveria de abrir e salvar outros tantos olhos doentes e fechados para a verdadeira vida.
Em 1948, José resolveu mudar com a família para a Colônia Agrícola Nacional de Goiás na região do Município de Ceres/GO. Lá chegando, José logo sentiu a necessidade de estender aquele tesouro descoberto por ele a todos os amigos, vizinhos e, até mesmo, aos desconhecidos do lugar. Foi assim que, no dia 2 de fevereiro de 1950, construiu ao lado de sua residência um salão com cinquenta metros quadrados, que logo se transformaria no Centro Espírita Maria Madalena.
Não era difícil ver do lado de fora do Centro até sessenta cavalos dos moradores humildes das regiões vizinhas, que vinham em busca de esclarecimento e consolo. Era o José retribuindo as bênçãos recebidas, abrindo e curando olhos e almas.
O salão estava ficando pequeno para tanta procura e outras Casas Espíritas foram surgindo na região, nos mesmos moldes do Maria Madalena. Mas, novas dificuldades e desafios estariam por acontecer. Nos idos de 1954, José teve uma congestão séria que o levou novamente aos médicos. Após os exames, D. Francisca recebeu o diagnóstico:
– Pode levá-lo para casa, pois não há mais o que fazer.
José estava desenganado pelos médicos. Foi aí, em meio a novas dificuldades, o homem surgiu fortalecido na fé, intuído pelo Alto e determinado a dar continuidade a um trabalho que não poderia ser interrompido.
Capítulo 04
O Encontro com Jerônimo Candinho em Palmelo/GO e a nova mudança
No ano de 1954, mesmo desenganado pelos médicos em decorrência da grave congestão que sofrera, mais uma vez prevaleceu a fé e a confiança em Deus e na Espiritualidade Superior.
José, que já ouvira falar do extraordinário trabalho espiritual realizado na cidade de Palmelo em Goiás, não pensou duas vezes; arrumou a mala e partiu. Lá, encontrou Jerônimo Candinho, homem simples, humilde, rígido e disciplinador, às vezes rude no trato, porém sábio e dotado de faculdades mediúnicas extraordinárias (foto ao lado).
Foram pouco mais de trinta dias de tratamento, observações, aprendizados e enriquecedora convivência com Jerônimo e sua equipe. Descortinava-se para ele uma forma nova e interessante de tratamento físico e espiritual, que certamente lhe seria útil nos seus trabalhos na Casa Espírita.
No retorno a Ceres, a saúde estava completamente recuperada e a convicção renovada na assistência amorosa de Jesus e na intervenção fraternal e constante dos Espíritos Superiores. O trabalho maior de José e Francisca, no entanto, estava reservado a outra região do Brasil. Estimulado pelo seu filho mais velho, Orlando, que fora trabalhar na construção de Brasília em 1957, José visitou a capital em obras neste mesmo ano e percebeu que ali, além de oferecer melhores condições de vida à sua família, era um campo fértil para a semeadura da mensagem espírita cristã. Foi então, que na grande movimentação para a construção da nova capital do país, em 05 de janeiro de 1958, José se transferiu com a esposa e os filhos para a cidade de Planaltina, na época Município de Goiás e a partir de 1960, cidade satélite do DF. Ao entrar na cidade, sensibilizado e intuído por forças superiores e exemplificando para os familiares queridos à importância da ligação constante com o nosso Pai Maior, José, ainda em cima do caminhão de mudança, abre O Evangelho Segundo o Espiritismo e faz uma prece sob o frondoso jenipapeiro, ainda hoje existente na praça Salviano Monteiro. Estavam lançadas as sementes de uma obra que iria exigir muitos sacrifícios e exemplos de abnegação e de renúncia.
No dia seguinte, José se instalava em uma casa alugada na Rua Eugênio Jardim, no setor tradicional da cidade, onde permaneceu por sete meses se dedicando ao comércio de secos e molhados, mas realizando sempre os estudos do Evangelho e as preces em família.
Determinado a prosseguir com o trabalho espiritual iniciado em Ceres/GO, José não descansou enquanto não encontrou uma área apropriada para a construção de um Centro Espírita. Foi nessa época que novos desafios e dificuldades surgiram para testar a fibra, a paciência, a vontade e a fé daquele homem simples.
Capítulo 05
As primeiras dificuldades e a fundação do CEMA em Planaltina/DF
Após sete meses no Setor Tradicional de Planaltina, José conseguiu com o Padre Antônio Marcigaglia, pároco da cidade, um lote na Quadra 11 lote 29 da Vila Vicentina, para onde se mudou em julho de 1958.
Neste local construiu a sua residência e um pequeno salão, no qual, em outubro do mesmo ano, iniciou atividades de reunião pública com aplicação de passes e distribuição de água fluidificada. Era o embrião do futuro CEMA, abrindo as suas portas à comunidade e semeando a Boa Nova de Jesus.
Aos poucos o grupo inicial de trabalhadores foi se constituindo. Pessoas com os mesmos ideais iam surgindo, as atividades cresciam e o número de necessitados ampliava. O salão já estava ficando pequeno e as dificuldades eram grandes. Na época, o Espiritismo na cidade não era visto com bons olhos e por essa razão a residência e o Centro foram inúmeras vezes apedrejados, exigindo de todos muita tolerância, coragem, perseverança e, principalmente, muita fé no ideal Espírita Cristão.
Apesar de tudo, a fé de José Paulista só aumentava. Em 1961 adquiriu do Sr. Afonso Machado da Silva um lote na quadra 02 da Vila Vicentina, onde construiu sua residência, seu comércio e um pequeno cômodo nos fundos, onde provisoriamente funcionariam as atividades do Centro.
No dia 24 de junho de 1961, às 12h, na presença de mais de sessenta pessoas, o CEMA abriu oficialmente as suas portas à comunidade de Planaltina, e a sua primeira diretoria, tendo José Alves dos Santos por Presidente e os demais membros compostos por:
- Tubertino Gomes — vice-presidente
- Luiz Nunes Ferraz — 1º secretário
- Raimundo Marques de Almeida — 2º secretário
- Felix Morais Cardoso — 1º tesoureiro
- Gumercino Vieira Rocha — 2º tesoureiro
Bem como um Conselho Fiscal, composto por:
- Oswaldo Ramos
- Francisca dos Santos Silva (D. Chiquinha)
- Gerônimo Pires de Souza
- Dorcelina Gomes
Paralelamente, iniciava, com recursos próprios, a edificação da sede definitiva, concluída em abril de 1963.
Centenas de necessitados surgiam em busca de lenitivo às suas dores. Todos eram atendidos e muitos, pessoalmente por José Paulista, que fazia da sua residência uma extensão da Casa Espírita. Conversas, orientações, conselhos, passes e tratamentos eram dispensados à todos que o procuravam, até de madrugada. Muitos que chegavam carregados, com graves problemas obsessivos, chorando e desesperançados, saíam caminhando, restabelecidos, sorrindo, confiantes na Providência Divina e agradecidos a José Paulista e aos espíritos superiores. Decorridos quase trinta anos de intensos trabalhos na Seara Espírita, José começava a sentir o peso da idade, suas forças já não eram as mesmas e muitos temiam pela continuidade da obra.
Estaria o CEMA com os dias contados?
Capítulo 06
Grandes transformações para o CEMA
Passados quase vinte anos desde a fundação do CEMA em Planaltina, as forças de José Paulista, então com 73 anos de idade, já não eram as mesmas, mas a vontade e a lucidez quanto à destinação da obra que fundara, em nada havia se modificado.
Após muito lutar para encontrar um substituto para a direção, seu filho Orlando assumiu a presidência do CEMA, em dezembro de 1980.
Uma nova fase - incentivada por José Paulista - estaria, então, por acontecer. A partir daí, muitos foram os que colaboraram.
Diversas diretorias foram constituídas e o trabalho prosseguiu sob as bênçãos de Jesus e alicerçado na Doutrina codificada por Allan Kardec. Iniciava-se uma década de profundas transformações para o CEMA, dentre elas:
- A organização dos primeiros cursos sistematizados
- A evangelização infantil, juvenil e de adulto
- A inauguração da Casa da Sopa Emmanuel
- A criação da Campanha de Fraternidade Auta de Souza
- O Posto de Assistência no Buritis II, que mais tarde se transformaria no CECAP
- A inicialização da construção da atual sede e a criação do grupo de Teatro Espírita Luzes da Esperança — TELUZES
Com a saúde debilitada, Zé Paulista é internado no hospital de Planaltina, logo transferido para o hospital de Base de Brasília (atual IGESDF) posteriormente para o hospital Presidente Médici, (atual HUB).
Vítima de complicações, devido a um Acidente Vascular Cerebral, José Alves dos Santos, desencarna no dia 22 de junho de 1985.
Trabalhador incansável, que muitas vezes lutou solitariamente, acreditando no ideal cristão, buscou sempre fazer o bem a todas as pessoas que o procurou, sempre se dedicando ao próximo.
Dizia que a sua finalidade única era “demonstrar aos planaltinenses que espiritismo é caridade, é renúncia e perdão que nós dará um futuro melhor”.
Após o sepultamento, o então amigo, Jorge Cauhy, revela aos familiares que teve uma visão na qual Zé Paulista pega uma pá e um carrinho de mão e se põe a trabalhar em um novo plano.
Na década de 90, trabalhadores do CEMA criam o Posto de Assistência Auta de Souza – CFAS, (que mais tarde se transformaria no CESAS) na Vila Nossa Senhora de Fátima, com a finalidade de atender a comunidade carente daquela região.
No ano de 1995, Dona Chiquinha, companheira dedicada que conviveu durante 58 anos ao lado de Zé Paulista, desencarna no dia 17 de setembro, vítima de insuficiência cardíaca devido a complicações de um Acidente Vascular Cerebral. Os filhos reunidos, decidem realizar o Culto do Evangelho no Lar, atividade ensinada por Zé Paulista, sempre na casa de um dos filhos.
Um dos objetivos da reunião é de que os laços familiares não se enfraqueçam em virtude da ausência dos pais. O culto da família, como é conhecido pelos seus membros, acontece até hoje sempre no último domingo de cada mês, reunindo os filhos, netos e bisnetos de Zé Paulista e Dona Chiquinha.
Fontes
Documentos da casa
O relato acima foi escrito em 2008, para a edição do centenário do fundador. Abaixo está o que veio antes: os estatutos de 1950 e as atas escritas à mão pelos próprios fundadores.
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2 de fevereiro de 1950
A casa nasce em Córrego Rico
Os estatutos abrem o livro de atas e já dizem o que a casa seria: "uma agremiação de pessôas de ambos os sexos. Adeptas da Doutrina Espírita", regulada "pelos moldes da filosofia codificada por Allan Kardec". Ali também estava escrito que a diretoria seria eleita anualmente, que o número de sócios era ilimitado e que, se a casa algum dia se extinguisse, seus bens reverteriam a uma instituição que praticasse a caridade.
Fonte: Livro de atas, "Estratos dos Estatutos" — assinado por José Alves dos Santos
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2 de março de 1950
A primeira diretoria, e três sessões por semana
Doze homens assumem os cargos — presidente, vice, dois secretários, tesoureiro, orador, cobrador, zelador, porteiro e um conselho fiscal de três. A mesma ata fixa os horários dos trabalhos: três vezes por semana, "Sabado ao meio dia, 2ª feira as 7 da tarde e Quarta feira a 7 da tarde".
Fonte: Livro de atas de Ceres, ata de março de 1950
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De 1950 a 1957
Os anos de Ceres
As atas registram um festim para custear o prédio, cujo saldo de cinquenta cruzeiros virou "1 meza de 2 metros por 1, 2 toalhas, 1 lampião de vidro"; a chegada dos primeiros livros, que formaram a biblioteca da casa; uma eleição de 1º de janeiro de 1953 decidida por oitenta e cinco votos a dezesseis; e a inauguração do salão novo, em agosto de 1953, com mais de cem pessoas. Registram também uma sessão à meia-noite de 31 de dezembro de 1950, para receber o ano — e as visitas trocadas com as casas vizinhas: Anjo Ismael, João Evangelista, Vicente de Paulo, Caminho da Luz.
Fonte: Livro de atas de Ceres, atas mensais de 1950 a 1957
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5 de janeiro de 1958
A travessia para Planaltina
A ata de criação conta a mudança na primeira pessoa: o centro de Córrego Rico "Funcionou até o Fim do ano de 1957" e, em janeiro de 1958, "deus mi enVia a esta Vila". Ele veio acompanhado do casal Benjamin e Lourdes; os outros companheiros passaram a trabalhar no Centro Espírita Joana d'Arc, em Figueira. A ata chama Planaltina de "Vila antiga planaltina distrito Federal".
Fonte: Ata de criação, 25 de junho de 1961
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24 de junho de 1961, ao meio-dia
A fundação, diante de mais de sessenta pessoas
"no dia 24 de yunho de 1961 as 12 oras do dia foi inaugurado o centro na prencia de mais de 60 pessôas onde foi Formado a diretoria citado abaixo" — e abaixo vem a lista de cargos que está no relato, acima. A ata se fecha com a assinatura de quem a escreveu à mão: "ata Feita por mim Tubertino gomes", o vice-presidente eleito naquele mesmo dia.
Fonte: Ata de fundação, folha 24 do livro de atas de Planaltina
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Meados dos anos 1960
O caminho até a sede própria
As atas descrevem a conquista do prédio em etapas: um período em que o corpo de diretoria se desfez e o fundador ficou "só na direção dos trabalhos"; uma sede emprestada na casa de um companheiro, até ele precisar dela de volta; o retorno das reuniões para a residência do próprio fundador; a ordem de ocupação do lote na quadra 2 da Vila Vicentina; e a pedra fundamental, lançada em outubro "por ser a data de Kardec", com a presença da Federação Espírita de Brasília. Em dezembro de 1967 as atas já falam de "sede permanente". As fontes divergem quanto ao ano de cada etapa — o jornal de 2008 dá a sede definitiva como concluída em abril de 1963 —, e por isso esta seção descreve o caminho sem cravar as datas.
Fonte: Declaração de 1º de outubro e atas de assembleia de 1966 e 1967
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1967
Dona Chiquinha, vice-presidente
Uma eleição de trinta minutos define a diretoria seguinte, e nela Francisca dos Santos Silva — a Dona Chiquinha, que já constava do conselho fiscal de 1961 — aparece eleita vice-presidente, ao lado do marido na presidência.
Fonte: Ata da Assembleia Geral, Planaltina-DF, 20 de dezembro de 1967
As atas guardam também dezenas de registros de atendimento: pessoas que chegavam doentes, desenganadas pela medicina da época ou em sofrimento, e que voltavam agradecendo. Estão anotadas com nome, idade e moléstia, no vocabulário de então. Esses relatos não são reproduzidos aqui — são dados de saúde de pessoas identificáveis, e o valor histórico do documento não autoriza publicar os nomes. Fica o registro do que a casa fazia, e a frase do próprio fundador: "não tenho poabilidade de registrar neste livro todas as curas que temos recibido neste bendito templo".
Os documentos desta seção pertencem ao acervo do CEMA. As citações preservam a grafia original, inclusive os erros: é assim que está no papel, escrito por quem tinha pouca escola e muita obra.
Ao longo dos anos
Os Colaboradores do CEMA ao longo da sua história
Conforme os registros nos livros de ata, o CEMA foi dirigido por equipes coordenadas pelos seguintes irmãos:
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José Alves dos Santos (✟)
1961 a 1980 · 19 anos
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Orlando Alves dos Santos (✟)
1981 a 1985 · 5 anos
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Maria Fernandes dos Santos (Tia Vera) (✟)
1986 a 1987 · 2 anos
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Roberto Lino do Nascimento
1988 a 1992 · 5 anos
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Renan Caputo de Faria
1993 a 1995 · 3 anos
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José Murilo Cruz Brito
1996 a 2001 · 6 anos
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Halvécio Machado Paiva
2002 a 2004 · 3 anos
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Elizeu Pereira de Carvalho
2005 a 2006 · 2 anos
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Elizabete Maria Gasparotto
2007 a 2022 · 15 anos
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Gestão atual
Aury Cleide Parente
2023 aos dias de hoje
É importante ressaltar que todos os trabalhos desenvolvidos no CEMA foram frutos de ação de conjunto, portanto, ao lado dos companheiros mencionados no quadro acima, dos filhos, netos, genros e noras de José Paulista, que até hoje contribuem com a obra concebida por ele. Existiram e existem centenas de valorosos trabalhadores que, desde os cargos de direção e coordenação até o mais humilde colaborador, viabilizam o funcionamento dessa valiosa oficina de aperfeiçoamento do caráter, da mente e do coração.
Cada companheiro é indicado à tarefa precisa; cada qual assume a feição de peça particular na engrenagem do serviço, sem cuja cooperação os mecanismos do bem não funcionam em harmonia.
Acervo
Outras lembranças da casa
Registros do arquivo do CEMA que o relato não data, guardados aqui para que não se percam.
Depoimento
Homenagem ao Seu Zé Paulista
Foi Deus!…
Ah! Que ninguém jamais duvide: foi Deus!
Assim como a exemplo de Moisés e Josué a caminho da Terra Prometida, sem se importar com a direita ou com a esquerda, mas sempre com olhar fixo nos ideais que estabelecera, foi possível a concretização de um evento de tamanha envergadura e expressão para os dois planos da existência - material e espiritual.
Deus realmente não escolhe os preparados, mas prepara os escolhidos.
Assim como Moisés, homem de pequena estatura e dificuldade de expressão, pois era gago, mas foi a quem Deus confiou a missão de libertação do seu povo, foi a José Paulista, homem simples do interior, desprovido da cultura do mundo e qualquer influência política, porém detentor dos valores e virtudes da humildade, determinação, fé inabalável e amor à causa que possibilitaram a superação de tantas lutas, tantos desafios no exercício do sacerdócio desta Doutrina Consoladora.
Falar, pensar e principalmente exercitar os princípios kardequianos à época, era expor-se ao ridículo e literalmente sujeitar-se a ser apedrejado e expulso da Cidade.
Foi nesse cenário que o Sr. José Paulista, cognome de José Alves dos Santos, juntamente com o saudoso Jorge Cauhy e alguns poucos outros, implantaram a semente do Cristianismo Redivivo neste Planalto Central, mais precisamente nesta Cidade de Planaltina de Goiás, uma vez que a Capital Federal ainda nem mesmo havia sido transferida, pois tudo teve início no dia 5 de janeiro de 1958.
Por isso, neste dia 29 de fevereiro de 2008, mais que justo a homenagem póstuma que prestamos ao Sr. José Paulista, digno fundador desta casa, pelos seus cem anos de nascimento no campo da matéria, pioneirismo e implantação do Espiritismo no Planalto Central, cuja fé, amor e desprendimento em prol da causa que abraçara, as palavras, exemplos e recursos humanos são impotentes para mensurar.
Estamos todos convictos de que o Sr. José Paulista, bem como sua companheira, amiga e fiel esposa com mais de meio século de caminhada juntos, os quais nem mesmo a morte separou e mais de oitenta descendentes consanguíneos, Dona Francisca dos Santos Silva, lá do “andar superior”, onde merecidamente hoje se encontram, agradecem em espírito e verdade a todos os trabalhadores desta casa, por manterem abertas estas abençoadas portas.
Orgulhosamente, no mais legítimo e verdadeiro sentido, nesta data, agradecemos primeiramente a Deus, a nosso Senhor Jesus Cristo, Maria Madalena, a todos que compõem a equipe missionária do mundo dos espíritos e a cada ser ainda provisoriamente revestido de um corpo de carne, que com humildade e perseverança mantêm esta casa de oração. Que Deus, nosso Pai de infinito amor e misericórdia, possa colocar sempre no coração e mente de cada um, os valores e os princípios de ética contidos nos Santos Evangelhos a fim de que os percalços naturais e necessários ao mundo não atinjam o propósito maior, que indubitavelmente trata-se da preparação para implantação e substituição do atual Planeta Terra pelo esperado Mundo de Regeneração, predito pela espiritualidade superior que sempre nos assistiu.
Que a paz de nosso senhor Jesus Cristo...
Que a paz de todos os nossos queridos mentores espirituais que nos assistem...
Que a paz de Deus, nosso pai de infinito amor e bondade, seja com todos…
hoje, agora e sempre…
E que assim seja!
Editorial · 2008
Centenário de um trabalhador do Cristo
“Para que alguém sinta a influência santificadora do Cristo, é preciso retificar a estrada em que tem vivido.”
Caminho Verdade e Vida — Emmanuel
Retificar a própria estrada é a sugestão de Emmanuel para que possamos nos candidatar a sentir-Lhe a influência santificadora. É desejo de todos nós sermos agraciados com o título de trabalhadores do Cristo, para assim termos também as benesses espirituais reservadas a esses vencedores de si mesmos. Porém poucos de nós se prontifica a renúncias e tarefas árduas para merecer ser assim inculcados.
Batalhador da doutrina espírita cristã e servidor do próximo, temos no "Seu Zé Paulista" o exemplo de trabalhador a ser conhecido e imitado. Nós da família do Centro Espírita Maria Madalena somos gratos a esse personagem da história, desconhecido dos compêndios escolares do mundo material, mas altamente reconhecido nas tarefas espirituais de atendimento ao necessitado de assistência fraternal.
Queremos seguir-lhe os passos e para tanto teremos a oportunidade nesta publicação de conhecer um pouco da sua trajetória entre os encarnados e sua obra continuada de assistência a Casa de Madalena. Não foram poucos os obstáculos materiais e espirituais a serem vencidos por esse valoroso trabalhador do Cristo, em épocas em que a divulgação da doutrina espírita ainda era precária, os preconceitos eram imensos e os cooperadores inexperientes e de poucos conhecimentos.
Ser desbravador requer fé inabalável, confiança ilimitada na assistência do Cristo e esperança imorredoura na vitória dos objetivos propostos. Estas qualidades não faltaram ao nosso personagem que deixou atrás de si um rastro de amor e dedicação à causa do Cristo, que tem produzido frutos na sua descendência consangüínea e além desta, como nós outros que buscamos nesta fonte de trabalho a nossa oportunidade de participar da obra renovadora do evangelho do Cristo.
Meditemos na grandeza espiritual deste homem que vindo de outro estado da federação, com família constituída, foi capaz de espargir as bênçãos do conhecimento plantando obras por onde passou e ainda por dezenove anos dirigiu esta casa como encarnado, vencendo todas as crises espirituais e materiais que certamente se lhe abateram os dias da juventude a velhice.
Imitemos a capacidade de trabalho e amor ilimitados deste grande companheiro de nossas existências, dando continuidade a sua obra com esmero e ânimo inquebrantáveis. Busquemos servir da criança ao velho trazendo em nosso coração a certeza de que ser trabalhador do Cristo é uma honra conquistada por corações que tem as marcas do Mestre.
Assinatura de José Alves dos Santos, o Seu Zé Paulista — fundador da casa.
As fotografias do relato e das lembranças da casa pertencem ao acervo do CEMA e passaram por restauração digital. Toque em qualquer imagem para ampliá-la.