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CEMA — Centro Espírita Maria Madalena

Parte Primeira · Capítulo I

De Deus

  • Questões 1 a 16
  • 4 assuntos
Sumário do livro
Assuntos deste capítulo

Deus e o infinito

questões 1 a 3
questão 1
Pergunta:

Que é Deus?

Resposta dos Espíritos

Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.4

questão 2
Pergunta:

Que se deve entender por infinito?

Resposta dos Espíritos

O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.

questão 3
Pergunta:

Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?

Resposta dos Espíritos

Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens.

Comentário de Kardec

Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a primeira.

Provas da existência de Deus

questões 4 a 9
questão 4
Pergunta:

Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

Resposta dos Espíritos

Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.

Comentário de Kardec

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo, tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

questão 5
Pergunta:

Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

Resposta dos Espíritos

A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio — não há efeito sem causa.

questão 6
Pergunta:

O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de ideias adquiridas?

Resposta dos Espíritos

Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?

Comentário de Kardec

Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.

questão 7
Pergunta:

Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?

Resposta dos Espíritos

Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.

Comentário de Kardec

Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa.

questão 8
Pergunta:

Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?

Resposta dos Espíritos

Outro absurdo! Que homem de bom senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.

Comentário de Kardec

A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.

questão 9
Pergunta:

Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?

Resposta dos Espíritos

Tendes um provérbio que diz: ‘Pela obra se reconhece o autor.’ Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!

Comentário de Kardec

O poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade.

Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe deem.

Atributos da Divindade

questões 10 a 13
questão 10
Pergunta:

Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?

Resposta dos Espíritos

Não; falta-lhe para isso o sentido.

questão 11
Pergunta:

Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

Resposta dos Espíritos

Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.

Comentário de Kardec

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme a sã razão.

questão 12
Pergunta:

Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar ideia de algumas de suas perfeições?

Resposta dos Espíritos

De algumas, sim. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento.

questão 13
Pergunta:

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos ideia completa de seus atributos?

Resposta dos Espíritos

Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas ideias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.

Comentário de Kardec

Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.

Panteísmo

questões 14 a 16
questão 14
Pergunta:

Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

Resposta dos Espíritos

Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.

Deus existe; disso não podeis duvidar, e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, conseguintemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.

questão 15
Pergunta:

Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?

Resposta dos Espíritos

Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus.

questão 16
Pergunta:

Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, Ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?

Resposta dos Espíritos

A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.

Comentário de Kardec

Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as propriedades da matéria à ideia de Deus, sem que Ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que Ele é, mas sabemos o que Ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou.

Sumário do livro